Viajando com crianças
Por SBOP | Apr 2016

Viajando com crianças

Com a facilidade de pagamento e praticidade, tem aumentado muito o número de viagens de avião, principalmente o de crianças. Mas os pais, nem sempre estão bem preparados e orientados para levar seu filho no avião. E a fim de evitar alguns problemas algumas recomendações são feitas.

Os pais ou responsáveis devem portar os documentos necessários para a identificação da criança, bem como se informarem sobre possíveis epidemias ou endemias e as vacinas necessárias para o lugar de destino.

Geralmente até os 2 anos as crianças não pagam passagens e podem viajar no colo do responsável. Porém, para uma viagem mais confortável e mais segura é preferível pagar uma passagem e colocar a criança na sua cadeirinha de carro. Ela é ideal para garantir a segurança dele em eventuais turbulências e nos procedimentos de decolagem e aterrissagem. Um detalhe: a cadeirinha precisa ter certificação internacional e conter a informação de que também pode ser usada em aeronave. Caso opte por carregar a criança no colo, deve solicitar um cinto de segurança especial para colocar nela.

Antes de viajar informe-se com a companhia aérea sobre como vai preparar a mamadeira ou a comida da criança, e o que pode ou não levar a bordo.

As aeronaves deslocam-se a uma elevada altitude, geralmente 12 mil metros de altura, e as cabines são pressurizadas, geralmente, em torno de 2.500 metros, diferente do solo, o que propicia conforto para deslocamentos rápidos. Embora nesta altitude os sintomas da adaptação do corpo humano sejam pouco percebidos nas viagens de curta duração pelo individuo saudável, eles ocorrem, e estas adaptações são devido ao ar mais rarefeito da altitude da cabine do avião. Em geral, os passageiros com condições médicas pré-existentes estáveis normalmente chegam muito bem ao aeroporto de destino. No entanto aqueles com doenças crônicas ou em recuperação de quadros agudos podem ter algum grau de desconforto.

No caso de um recém-nascido, é prudente que se espere pelo menos uma ou duas semanas de vida até a viagem. Isso ajuda a assegurar a ausência de problemas congênitos ou respiratórios que possam prejudicar a criança.

As crianças pequenas podem sentir dores de ouvido principalmente na fase do pouso ou aproximação final da aeronave. Para alívio desse sintoma recomenda-se que a criança mame no peito ou mamadeira, chupe chupeta ou mesmo beba água no copo.

Há algumas doenças na criança que merecem atenção especial antes de embarcar

GRIPE, OTITE, SINUSITE
Na vigência de infecções agudas, não deve embarcar, pois além do quadro poder se agravar durante o voo, a criança pode sentir fortes dores de ouvido e de cabeça devido a obstrução nasal, e podem passar para outros passageiros .

RINITE/ASMA, BRONQUITE
Quem tem rinite alérgica, pode ter os sintomas desencadeados pela baixa temperatura e ar mais seco dento do avião. Os sintomas podem ser minimizados com cuidados no pré-voo e dentro do avião com o uso profilático de anti-histamínicos e corticoides. Durante o voo, pode-se, também, umidificar a mucosa nasal com soro fisiológico e, antes dos procedimentos de pouso, é indicado usar descongestionante nasal para evitar a dor de ouvido.

A asma brônquica é a doença respiratória mais comum entre os viajantes, sendo incapacitante para o vôo em casos graves,instáveis e de hospitalização recente. Os asmáticos sempre devem levar na bagagem de mão seus medicamentos, principalmente broncodilatadores (bombinhas). Em casos emergenciais, consultar seu pediatra para melhor orientação.

DIARREIA/VÔMITOS
É um problema em potencial, principalmente para aqueles que visitam regiões endêmicas e com pouca higiene, as quais facilitam a transmissão de infecções. Apesar da doença ser auto-limitada, deve-se valer da hidratação oral para prevenir a desidratação. A Organização Mundial de Saúde recomenda intercalar um copo de água com um de soro. Não pode embarcar e deve-se procurar assistência médica em caso de febre alta, tremores, piora progressiva dos episódios, presença de sangue ou muco nas fezes, vômitos que impedem de tomar líquidos, sintomas persistentes após uso de sintomáticos, pois a criança pode desidratar gravemente durante o vôo e até evoluir a óbito.

GESSO E FRATURAS
Não é muito infrequente as crianças caírem e fraturarem algum osso durante as viagens.

Nas fraturas agudas estáveis, sem edema intenso, os gessos feitos até 7 dias antes de voo, devem ser bivalvados para evitar síndrome compartimental, ou ser feita uma tala gessada, principalmente em vôos longos.

Em casos de fraturas instáveis ou edemas intensos, o risco é ainda maior de desenvolver síndrome compartimental e embolia gordurosa durante o voo, principalmente os mais longos, e recomenda-se operar os casos em que há indicação e o ideal seria esperar 7 dias para voar devido ao edema.

Após cirurgias, no caso da anestesia geral isolada recomenda-se esperar 48h, pelo risco de pneumotórax caso fiquem bolhas de ar devido a ventilação sob pressão, e após raqui-anesteia ou peridural esperar 72h pelo risco de cefaleia.

Por razões de segurança, algumas companhias aéreas exigem que passageiros com gesso em membro inferior acima do joelho viajem em maca .Como alternativa, podem comprar um assento extra ou viajar em classe onde tenha maior espaço disponível.

Os gessos feitos até 7 dias antes de voo, nas fraturas agudas estáveis, devem ser bivalvados para evitar síndrome compartimental, ou ser feita uma tala gessada, principalmente em vôos longos.

No caso de dúvidas entre em contato com a Sociedade Brasileira de Medicina Aeroespacial pelo site www.sbma.org.br ou pela página no Facebook, e para consultas rápidas acesse o manual "Doutor, posso viajar de avião".

 

Daniela R Rancan
Médica Ortopedista com Especialização em Ortopedia e traumatologia infantil e Doenças neuro-musculares pela ISCMSP
Médica Assistente do Grupo de Doenças Neuro-musculares da ISCMSP
Membro da Diretoria da Sociedade Brasileira de Medicina Aeroespacial

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